A Solução de Hoje para o Trânsito de Amanhã

Experiências, Desafios e o Futuro para a Segurança Rodoviária de S. Paulo

Por: David Braunstein, Juntos por Estradas Mais Seguras Presidente

A cada ano, 1,25 milhões de pessoas morrem e 50 milhões ficam feridas nas estradas do mundo.1 É a crise global humana, de saúde pública e económica que se esconde à vista de todos. As lesões no trânsito rodoviário estão entre as principais causas de morte em todo o mundo e nos países de baixa e média renda estão em ascensão.1

Tem havido uma atividade substancial para conter esses números com a Década de Ação das Nações Unidas para Segurança Rodoviária 2011-2020. Infelizmente, os números ainda são preocupantes ? tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento.

Um raio de luz está em São Paulo, onde temos visto progressos positivos na redução de mortes e ferimentos nas estradas.

Esta semana, tive a honra de viajar para São Paulo e participar de Arteris? 4º Fórum de Segurança para trocar experiências, discutir desafios e propor futuras abordagens inovadoras para melhorar a segurança rodoviária no Brasil e no exterior. É extremamente encorajador ver evidências claras de que São Paulo - com a ajuda do setor privado - está construindo capacidade de gestão da segurança rodoviária para criar estradas mais seguras para todos.

Estudo de caso: Gestão de Dados para o Plano de Acção de Segurança Rodoviária do Estado
Em 2014, São Paulo tinha uma taxa de 15,4 mortes no trânsito por 100.000 pessoas, mais do que na Argentina (12,6) e no México (14,7). Para reduzir o número de mortes, Vida Dê Preferência: Movimento Paulista de Segurança no Trânsito (MPST)A iniciativa Together for Safer Roads (TSR), da qual Together for Safer Roads (TSR) é um conselheiro ativo, foi formada para criar, implementar e avaliar o Plano de Ação do Estado para a segurança rodoviária em 64 cidades, que inclui a construção de um sistema de dados críticos e mapeamento de missão para relatórios oportunos. Intuitivamente, sabemos que não se pode resolver o que não se pode entender. Por isso, fiquei especialmente satisfeito ao saber que nossos muitos parceiros no Brasil visualizam a solução de análise de segurança de tráfego INFOSIGA SP que nós ajudamos a criar, e que tem destravado tanto valor. A evidência é clara.

Em 2016, o MPST reportou uma redução de 6,5% de mortes nas estradas de São Paulo em comparação com o mesmo período em 2015. Para o primeiro semestre de 2017, o MPST já está estimando uma redução de 3,8% na sinistralidade rodoviária. Isso se traduz em 447 vidas salvas e um incalculável "retorno" em termos de custos emocionais e sociais.

Numa abordagem semelhante, a Arteris - uma subsidiária da Abertis, membro da TSR - está a implementar acções para melhorar a segurança na auto-estrada Regis Bittencourt, que a Arteris opera em nome das autoridades de transporte do Estado. Esta é uma das estradas mais importantes do Brasil, ligando países do Mercosul, e anteriormente conhecida como "estrada da morte". Desde 2008, a Arteris tem sistematicamente identificado e classificado os pontos mais inseguros da estrada e implementado acções para mudar esta realidade. A Arteris alcançou uma redução impressionante de 55% das mortes nas estradas durante esta década, excedendo a meta estabelecida pela Década de Acção das Nações Unidas.

Aplaudimo-los por este feito e esperamos estabelecer uma parceria ainda mais estreita com a Arteris e a Abertis.

Estudo de caso: Comportamentos do Usuário da Estrada
A Arteris também apresentou um novo estudo sobre os motoristas de rodovias brasileiros em comparação com pesquisas similares realizadas na Espanha, França e outros países onde a Abertis está presente ? aprofundando o conhecimento sobre os comportamentos dos usuários e identificando alternativas para a mitigação dos riscos.

Por exemplo, a pesquisa mostrou que mais da metade (57,5%) dos motoristas brasileiros não sinalizam ao trocar de faixa, 29,6% dos veículos desrespeitam os limites de velocidade e 48% dos passageiros no banco traseiro não usam cinto de segurança. Esta pesquisa foi ainda reforçada por uma pesquisa ad hoc com participantes do 4º Fórum de Segurança Arteris, onde mais de 95% da audiência que respondeu a uma pesquisa sugeriu que o comportamento dos usuários das estradas é a maior causa de mortes no trânsito. É evidente que há muito trabalho a fazer para mudar atitudes e comportamentos.

Mas Elvis Granzotti, gerente de operações da Arteris, partilhou, ?apesar destes comportamentos preocupantes que põem em perigo a vida de outros condutores, peões e ciclistas, podem ser tomadas medidas preventivas por parte dos gestores de auto-estradas, da autoridade concedente, dos organismos de controlo e inspecção? Para isso, nós da TSR esperamos ajudar nossos parceiros no Brasil a entender melhor os fatores comportamentais e culturais que podem ser mudados para influenciar ainda mais a segurança rodoviária.

Futuro: Parcerias Público-Privadas Inovadoras
Estamos apenas no início. Temos de continuar a investir em parcerias inovadoras entre os sectores público e privado. Os governos devem ser os responsáveis pela implementação de sistemas e programas de gestão da segurança rodoviária. O setor privado tem um papel valioso a planejar e continuará a colaborar com o setor público ? reconhecendo e aproveitando oito forças-chave que vemos em nossas parcerias de sucesso.

Só quando todos os intervenientes se reúnem é que os projectos, políticas e tecnologias de segurança rodoviária podem ser sustentáveis ? em última análise, salvar vidas. Na TSR procuramos ser participantes activos e líderes de pensamento em parcerias público-privadas. Nós estamos aprendendo fazendo. Estamos a explorar relações de longa data, e estas novas forças estão a tomar posse para alcançar a nossa missão. Para quem ler isto que gostaria de se juntar a nós na nossa importante missão, por favor não hesite em contactar-me directamente.


Referências

1Organização Mundial de Saúde. ?Global Status Report on Road Safety 2015... Obtido em http://www.who.int/violence_injury_prevention/road_safety_status/2015/en/